Eli Heil, criadora ou criatura?

“Sou artista cuja mente ficou grávida”

                                                                                                          “Cabeça tela de cinema”

“Eu queria ser uma mancha, não queria ser mais corpo pra não sentir”

           “Fase de decomposição”

                                                         “Tudo o que eu coloco pra fora, é muito dentro!”

“Minha cabeça é muito mais avançada, tá entendendo?”

                                                                      “Hoje achei que minha doença é saudável”

“Eu, se tivesse asa, voaria”

                                                                                                  “Eu, meu filho, não tenho rótulo”

                                   GOSTOU?? POIS VOCÊ AINDA NÃO VIU NADA!

“A arte é um poder mágico.

Uma alucinação constante.

Um ser flutuante com cores resplandecentes.

A cor revela tudo: seu íntimo transparente, sua alegria e até sua agonia.

A arte é o incansável poder de criação,

Correndo atrás do tempo, do seu corpo e até do seu cansaço,

Para que não haja espaço vazio sem controle de sua imaginação.

“A arte purifica o espírito, conserva o corpo,

Enche os olhos do outro de clarão também mágico,

Pela aventura de ser escolhido, de sentir e vir junto ao artista, corpo a corpo.”

Eli Heil

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Guerra e Paz

Queria mesmo era escrever um post detalhado sobre a experiência de ter ido ver os painéis de Portinari – Guerra e Paz – no Memorial da América Latina. Porém estou com o tempo escasso e não posso deixar de recomendar essa exposição. São dois painéis de 14x10m, da mais linda e expressiva arte. A exposição é gratuita e fica até dia 21 de abril. É de cair o queixo. Deixo aqui algumas sugestões:

- Veja primeiro os painéis e depois os estudos da obra

- Olhe demoradamente primeiro para o painél guerra, primeiro de longe e depois de perto. Depois para o paz (do mesmo jeito) e depois volte a olhar para o guerra

- Se puder ir durante a semana, imagino que deva ser melhor. Fui num domingo e estava bem cheio.

Esse é o site oficial da exposição. Lá, se pode passear pelos painéis. Eu faria isso apenas depois de ir à exposição. Mas enfim, cada um com seu jeito de apreciar as coisas, é que eu não abro mão de ser surpreendida jamais!

Enjoy,

T.

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Confissões de uma paulistana

Preciso confessar que minha relação com você é bastante ambígua e confesso mais ainda, que meu ódio sobressai ao meu amor. Ou será apenas que o expresso com mais freqüência?? Talvez seja isso. Talvez esteja me dando conta agora que tenho sido um tanto ingrata com você. Sempre reclamando dos obstáculos que você impõe quando meu ser quer apenas fluir livremente, sempre me queixando da negligência tua de ter tido tantos filhos e não poder me oferecer o conforto que se desfruta quando não se tem que dividir tanto as coisas. Reclamo da sua aridez, da sua falta de planejamento, da impossibilidade de transitar pelo seu corpo com espontaneidade, até do seu cheiro eu reclamo! É que é difícil no dia-a-dia escapar ilesa do impacto que você tem na gente. Seus sons e barulhos ininterruptos, a violência que você abriga e que nos espreita o tempo todo, as dificuldades e burocracias cruéis que insistem em nos rodear. O que esqueço, o que cotidianamente fica quase impossível de se lembrar, é que nada disso é culpa sua. Você apenas existe. É mais vítima do que algoz.

Confesso também, que não raro faço uso de seus defeitos para projetar minha insatisfação pessoal, minhas mágoas, meu cansaço, meu desânimo e sobretudo meu ódio. E apesar de nenhuma relação estar livre disso, tenho procurado ficar mais atenta e espero, em breve, separar as coisas mais justamente.

E com tudo isso, apesar dos pesares que tanto pesam em meus ombros, os quais carrego na alma quando chego em casa exaurida de transitar por seus buracos e irritada por sentir uma sobrecarga que não é minha, percebo também o meu amor. Tenho amor por você simplesmente ser meu berço, ser minha morada, ser familiar.  Por ter acolhido minha família de imigrantes que vieram de tão longe e em situação tão precária, mas cheios de esperança, a qual você não desapontou.  Te respeito por você não fechar as portas a ninguém. Quantos filhos você adotou e continua a adotar! Quantas pessoas especiais você possibilitou que eu conhecesse e convivesse. Só em meu círculo mais próximo, tenho irmãos do Rio, Florianópolis, Bauru, Minas Gerais, Rio Preto, Santos, Paris, Paraná, Nápoles, Damasco. Também reconheço e aprecio sua história e trajetória de 458 anos. Te admiro ainda por sustentares a violência desmedida sobre seu solo, recebendo a invasão de torres que ironicamente abrigam nosso lares, por agüentar roubarem-lhe seu céu, seu ar, sua natureza, sua paz.

Confesso por último, entretanto, que não posso prometer que com você ficarei para sempre. Não é nada contra você, mas tenho alguns anseios que talvez não seja da sua natureza propiciar. Prometo entretanto, que se um dia partir, sempre retornarei. Por hora, desfruto e sou grata a toda a sua riqueza. Sua farta diversidade cultural, gastronômica, artística, científica, sua oferta de experiências enriquecedoras, de crescimento e de aprendizagem em todas as facetas da vida.

Desejo que continues viva, exuberante em vitalidade e que fique cada vez mais saudável e bela. Feliz aniversário.

Ah! Ia quase me esquecendo. Nasci na maternidade que carrega o seu nome e confesso também que acho isso bonito.

Ilustrações do artista Eric Lovric, Sala São Paulo e Ele está no meio de nós, respectivamente.


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Fayga Ostrower e as surpresas da vida

Fui apresentada a essa artista por uma amiga psicanalista. Não falamos sobre ela mais que uma vez, porém a maneira como minha amiga se referiu a ela me marcou. Tratei de decorar seu nome e guardei-o em minha gaveta mental entitulada “procurar saber mais sobre”.

Um tempo depois vi um de seus livros na galeria e ateliê “Graphias – Casa da Gravura”. Folheei e me encantei. (Às vezes é assim, num simples folhear sentimos uma empatia irrefutável.)

Apesar de nunca ter me esquecido desses dois contatos com a artista, ainda não tinha chegado em sua ficha na minha gaveta mental. Entretanto, a vida é muito generosa e nos brinda e surpreende, quando a gente menos espera.

Numa quarta-feira qualquer, chegando ao museu Lasar Segall para meu curso de poesia, dou de cara com um cartaz imponente que anunciava a nova exposição:

Depois da sensação de alegria mansa, como dizia Clarice, pensei: vou salvar pra outro dia. Outro dia eu venho com calma, faço disso um passeio. Não quero entrar ali agora, ver tudo correndo. Era simplesmente bacana demais que havia uma exposição de uma artista que eu estava há muito querendo conhecer, no meu museu favorito na cidade, o qual eu frequentava semanalmente! Era simplesmente bacana demais para eu consumir assim, sem cerimônia. Passei mais de um mês olhando para aquelas portas grandes e negras, que felizmente impediam que eu visse um vislumbre sequer…

Na semana seguinte, lendo a Bravo, descobri que esta exposição (que constava da seleção “os melhores na opinião da Bravo”) reunía seus trabalhos referentes a uma faceta menos conhecida da artista: a de ilustradora de livros. Justamente o assunto que mais tem me interessado nos últimos meses no mundo das artes plásticas!

Bom, por agora, alguns já devem estar pensando que sou no mínimo masoquista! Não. É que gosto de ser surpreendida. Gosto de guardar e aguardar prazeres.  Gosto de saboreá-los com respeito e tranquilidade.

E hoje foi o dia. Nada como janeiro! Quem dera janeiro durasse uns três meses. Ou tivéssemos um janeiro a cada quatro meses! Enfim, depois de atender pela manhã e após um almoço delicioso no Natural da Vila, fui até o museu. Eu tinha a tarde livre e era apenas 13h00!

A exposição é pequena, mas vale cada quadro. Aprendi que F.O. era gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, teórica da arte e professora. Nascida na Polônia em 1920, foi para a Alemanhã com apenas um ano, onde ficou até 1933. Em 1934, veio para o Rio de Janeiro, onde produziu toda sua obra e onde morreu em 2001.

Contemplando seus trabalhos, imaginei uma mulher sensível e forte ao mesmo tempo. Seu trabalho revela delicadeza e solidez em uma só imagem. Gostei muito de brincar de imaginar quão prazeroso deve ser ter a liberdade de ilustrar um escrito. Ainda mais escritos de Graciliano Ramos, Cecília Meirelles, João Cabral de Melo Neto, T.S.Elliot entre outros! Que interessante poder ler palavras, deixar-se tocar por elas e expressar seus sentidos em imagens!

Fayga Ostrower - Capa de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima

Saí da exposição mais bem alimentada do que já estava. Resolvi publicar este post, de início, apenas para recomendar a exposição. Porém, procurando dados bibliográficos no site oficial de Fayga, deparei-me com esse vídeo

e então, depois de assistí-lo, resolvi que, para mim, essa artista merecia um post mais completo e que eu, do meu lado, precisava compartilhar minha alegria, que já não era tão mansa.

Algumas coisas no vídeo me tocaram especialmente: Em primeiro lugar, de cara gostei e confirmei a maneira como eu a imaginava. Ela parece voar com os pés no chão. Tem personalidade e opinião, ao mesmo tempo que exalta o amor e o confessa em público! Ela sabe sobre o que está dizendo e parece muito honesta consigo mesma. Em segundo lugar, aprendi com ela. Aprendi sobre arte e sobre a vida. Em terceiro lugar, o vídeo é um registro de uma homenagem, e eu acho que homenagens são uma das coisas mais lindas de que somos capazes de fazer. Em quarto lugar, curiosamente, ela falou sobre utopia, tema sobre o qual refletia ontem mesmo, com meu analista. Fayga diz que é ‘fantástico’ que o homem possa ter utopias, que utopias não são ‘fantasias vazias’. Meu analista disse o mesmo e incluiu que nossas utopias devem ser nosso norte, devem ser nosso alvo, e que, um caminho trilhado com um norte utópico, fica necessariamente recheado de um pouco dessa utopia. A minha, ele ontem colocou em palavras, é que os seres humanos se comuniquem profundamente, de forma completamente honesta e horizontal.

Acho que gostei tanto da Fayga porque ela me pareceu ter sido e vivido assim, além de seus outros talentos…

Espero que desfrutem! (exposição Fayga Ostrower – museu Lazar Segall)

Fayga Ostrower - Ilustração do poema O Rio, de João Cabral de Melo Neto Serigrafias sobre papel Fabriano, 1972 
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Carta de despedida

Hoje não quero escrever poesia. Poesia é legal e coisa e tal, mas amarra um pouco a gente. Tem que pensar antes de escrever, fazer conta, procurar a palavra certa, colocá-la no lugar exato, uma chatice às vezes. E falar sobre quem eu quero, é justamente a antítese dessa amarração:

…pois a nossa comunicação é sui generis. Têm coisas que eu falo que só ela entende. A minha graça é mais engraçada quando é com ela que estou brincando. Ela solta umas gargalhadas que me sinto o próprio Seinfeld no palco. Tem coisas que eu faço que não preciso nem contar, porque ela já sabia. Têm outras que eu penso que estão só na minha cabeça e quando vejo, ela já viu. Não há segredos nem assuntos proibidos. Não há pudores, vergonhas nem nada que o valha. Sua companhia é sempre agradável, mesmo quando uma de nós está de mau humor ou cabisbaixa, ou irritada. Se isso acontece, das duas uma: ou perguntamos, quer falar? ou simplesmente esperamos passar. Nem eu me preocupo de não estar legal, nem me incomoda se ela não está. Se as duas estiverem bem, a conversa não parece ter fim. Pode ser no carro, em casa, no restaurante ou no trabalho, a verdade é que quando a gente se encontra um mundo à parte nos envolve como numa bolha e dali não queremos sair. Temos tudo o que precisamos: ouvidos atentos, interesse mútuo, interesses compartilhados, ombros amigos, e piadas internas que ao invés de irem minando, só fazem se multiplicar.

É muito louca essa coisa de primos-irmãos. Primos são irmãos de pais comuns, os avós. A gente não fala, a mamãe nunseiquelá, o papai numseiquejeito, mas a gente fala, a vovó fazia assim, o vovô era assado, o tio fulano nunseioque. Não dizemos, lembra na casa da mamãe? , mas sim, lembra na casa da vovó? Nossas histórias pessoais nasceram na mesma fonte, são baseadas na mesma base, somos frutos do mesmo amor e unidas pelo afeto, fraternidade e amizade que sempre assistimos de camarote entre minha mãe e o pai dela.

Há algo muito curioso, porém, na nossa história de primas: sou 5 anos mais velha que ela, porém quando éramos crianças, eu era 10 anos mais velha! Isso porque eu era super problemática e achava que era adulta aos 8, mais ou menos. Coisa de neta mais velha, super paparicada e outros porens da minha própria história. Outro dia achamos uma carta que eu escrevi para a Nonna quando ela estava por um tempo fora do país. Eu dizia assim: oi vó, como estão as coisas aí? Por aqui está tudo bem, a Adriana está uma graça, linda como sempre! Hahaha! Veja bem que eu devia ter uns 7 ou 8 anos, recém alfabetizada, mas achava de conversar feito gente grande. O pior é que o pessoal mais velho devia achar bacana, porque jamais me deram um pito, deixa de ser tonta menina, vai brincar! O pito veio mais de 20 anos depois, quando nós duas, as primas, conversávamos sobre o porquê de termos demorado tanto para nos aproximar. Para a minha surpresa, fiquei sabendo, que aos olhos dela, eu era uma menina metidinha a besta, meio exibida e inacessível. Senti uma leve dor no peito e tive vontade de chorar, ao imaginar que eu podia ter causado algum tipo de dor na prima. Que eu pudesse tê-la feito se sentir pouco importante, pouco interessante. Quis rebater, perguntei se ela jurava que eu era assim e ela jurou. E eu chorei. Expliquei-me e me desculpei. Ela ouviu e compreendeu. A honestidade da conversa nos tornou íntimas.

 Mas voltando à nossa história, passado o limbo que durou muitos anos, começamos a nos aproximar na casa da vó, mais ou menos no meio da década passada. A Nonna dava aulas de inglês e francês. Eu e a prima fazíamos francês com ela em horários separados, porém no mesmo dia. Entre uma aula e outra começou a rolar um almoço feito pela Nonna, que depois de um tempo acolhia não apenas nós duas, mas também nossos pais, o tio e às vezes um convidado de algum de nós. À mesa, a gente se sentava perto e aos poucos fomos nos conhecendo melhor, conversando mais, percebendo que tínhamos um senso de humor parecido, além da profissão comum. Eu comecei a me oferecer enfática e genuinamente para auxiliá-la no início da jornada de ter um consultório. Ela foi, devagarzinho, aceitando, e quando menos esperávamos, havíamos nos tornado irmãs-primas, muito mais do que primas-irmãs. Perfeito para as duas, já que ambas têm apenas irmãos! Ai que delícia é ter uma irmã! Eu que sempre achei que não sentia falta de uma! Mas é que a gente não sabe que sente falta, se nunca teve…

Daqui um mês aproximadamente, a prima vai se mudar para o outro lado do mundo. Eu sei profundamente o que isso significa para ela. Tanto, que arrisco dizer que sei mais sobre o sentido dessa mudança para ela do que ela mesma. (Continuo um pouco metidinha, coisa de irmã mais velha!) Assim sendo, fiquei muito, mas muito feliz que ela tenha tomado essa decisão. Como irmã, só posso querer o melhor para ela e isso implica em ter que me virar com a falta que ela fará na minha vida. É tão louco, passamos tanto tempo na mesma cidade, na mesma família e estávamos tão distantes, e agora que estamos tão próximas, teremos que nos separar de corpo. Num adianta muito dizer que tem skype, facebook, email, o escambáu, porque é verdade que essas coisas ajudam, mas simplesmente não substituem um encontro com a qualidade que tem o nosso.

A verdade Drics, e só estou percebendo isso agora enquanto choro sua despedida, que tenho com você algo muito parecido com o que tinha com a vovó. Se você pegar aquela carta que escrevi pra ela depois que ela morreu – carta pra lembrar de perto – verá que as coisas que descrevo sobre a relação que eu tinha com ela, cabem perfeitamente para a nossa também! Que incrível!

Amanhã iremos enrolar charuto de folha de uva na casa da vó, onde ainda mora o tio. Estaremos eu, a prima, minha mãe, o pai dela, o tio e sem dúvida, Nonnina. Assim, mantemos a presença dela no natal, alimentando a família extensa, e nos alimentando, com o que ela nos ensinou. Que bom que deu tempo de eu te ensinar alguns pratos, pra você me levar junto com você para sua nova vida! Eu, do meu lado, terei que fazer um curso de mergulho. Mas isso fica para o próximo post, que já está no forno.

Te amo e espero que a gente se encontre pelo mundo para cozinhar e mergulhar, para compartilhar nossos escritos e sentimentos, nossos pensamentos e experiências e para continuarmos a fazer história!

Um beijo com todo meu amor, sua irmã-prima.

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Composição preto e branca

Preto e Branca
Prestes a compactuar
Brincavam sem parar
De abraçar e de beijar
 
 
Preto e Branca
Prestes a comprometer
Brigavam sem parar poder
Por prazer, sem perceber
 
 
Preto e Branca
Prestes a compor
Brincavam sem pudor
Brigavam por pavor
 
 
Pela pessoalidade brigavam
Palavras amputadas
Paralisadas na parede
 
 
Pela proximidade perdoavam
Palavras abrigadas
Impressas não-dormentes
 
 
Preto, pensativo, apertado
Branca, botão, abotoada
Tropeçavam no pavio pequeno
Trapaceavam à pancada
 
 
Porém ponderavam
Balizavam as protuberâncias
Apaziguavam o ímpeto
Desabrochavam as esperanças
 
 
Também, pudera!
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Poesia

Poema pede palavra pensada
 
Palavra potente
Palavra pronta
Palavra prudente
Palavra pouca
 
Aprendo parindo
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Sol

Rei que tu és
Acalenta-me da fria dor
Banha minh’alma de calor
Que a frustração profunda escurece, enfurece
Que tu morreste até parece!
 
 
Que na sombra em que me deixaste
Crescem vermes de desgosto
O alimento vem sem gosto
De castelos, só desgaste.
 
 
Na escuridão absoluta
A queda livre é mais cruel
Nada sonha, nada escuta
Nem o dedo no anel
 
 
Ofusca esses olhos que não podem crer
Queima o corpo que não quer sentir
Seca o rancor que insiste em ser
Corroi a tristeza que está por vir
 
 
Se é verdade que tu crias
Regenera meu sonho tão longínquo
Ao menos faze brotar paz desse lodo medonho
Que paralisa os meus pés.
 
 
Faz-me, te suplico, com seu brilho,
um ninho onde possa descansar.
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Poema com assonância em ó

Aposto
No sol na poça
Na morte do anzol
Na lógica da prosa
Na sorte do homem
 
Aposto
No homem que adoro
Na sorte da morte
Nos olhos a postos
Nas trocas dóceis
 
Aposto
Que olho
Que amolo
Que posso
Que gosto
 
Da aposta forte
Dos olhos faróis
Do lençol mole
 
Aposto no que toca
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Breve prece

Liberdade,

Que suas asas ágeis me abraçem ávidas,

E que sua alma calma me fale da paz do que me apraz.


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